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Coluna

O que encontrei numa fazenda vertical com quase 100% de umidade

Certa vez, visitando a fazenda vertical de um cliente, entrei na sala de cultivo e, no exato momento em que abri a porta, percebi que algo estava errado.

O momento em que entrei na sala de cultivo

“Obrigado por me receberem hoje.”

No dia da visita à fazenda vertical desse cliente, ajeitei a gola do paletó e cumprimentei, como de costume. Fui chamado como consultor para melhoria das instalações.

Mas ao abrir a porta da sala de cultivo, o ar estava pesado. Não era calor exatamente — era mais como algo úmido grudando no rosto. Quando respirei, tive a sensação de estar inalando vapor d’água até os pulmões.

Meus óculos embaçaram na hora. O campo de visão sumiu, e por alguma razão o que me preocupava era o chão. Dei um passo à frente — e ouvi um som abafado sob meu sapato de couro.

Chap. Chap.

Limpei os óculos e olhei para baixo. O chão estava coberto por cerca de um centímetro de água. Entre as prateleiras de cultivo, a água corria como um pequeno riacho. Por um breve instante, pensei de verdade: será que vim de terno para o lugar errado?

“Hm… e essa água aqui é…?”

“Ah, isso? É só a condensação das paredes acumulando.”

O gerente da instalação respondeu num tom tão descontraído quanto “quer um café?”. Eu, por minha vez, já estava preocupado silenciosamente com o futuro dos meus sapatos.

A sala com 99% de umidade

O higrômetro marcava “99%”. Noventa e nove por cento já seria quase o limite — mas sensorialmente, parecia ter ultrapassado até isso. Não era umidade, era a sensação de estar dentro de uma névoa fina.

Pela parede, a água escorria em filetes. Do teto, gotas caíam uma a uma. O som do sistema de climatização — algo que normalmente nem notaria — parecia vir de longe, abafado pelo barulho da água caindo.

“O equipamento de desumidificação…?”

“Não tem.”

No instante em que ouvi a resposta, várias coisas se encaixaram sozinhas na minha cabeça. Condensação. Drenagem. Doenças. Estiolamento. Na verdade — desumidificação primeiro. Mentalmente, eu gritava: “isso é um problema gravíssimo”.

A alface misteriosa

Enquanto percorria as prateleiras de cultivo, me deparei com uma planta estranha.

“Isso é… uma variedade experimental nova?”

Da espuma de poliuretano — o material esponjoso usado como substrato — subia um caule único e fino. No topo, algumas folhas pequenas. A forma lembrava um pouco a folhagem de cenoura, mas claramente não era. Parecia uma planta fazendo o máximo para crescer para cima num lugar com água demais.

O gerente respondeu com uma expressão ligeiramente envergonhada.

“Na verdade… isso é alface.”

”…O quê?”

“É alface frisada — uma variedade com folhas onduladas nas bordas.”

Não acreditei no que via. Quando penso em alface, imagino folhas se abrindo com volume e leveza. Mas o que estava à minha frente não tinha nenhuma condição de ser comercializado. Mesmo agora, enquanto escrevo isto, a imagem daquelas poucas folhinhas no topo de um caule fino volta com uma clareza estranha.

Naquele momento, a palavra “estiolamento” veio de uma aula de fisiologia vegetal. É a condição em que os entrenós se alongam de forma anormal tanto pela alta umidade quanto pela luz insuficiente, fazendo a planta crescer muito longe da sua forma normal.

A medida emergencial e o que veio depois

A situação estava clara. O manejo de umidade dessa fazenda vertical não estava dando conta.

Não havia desumidificador na instalação, mas, por sorte, havia vários aparelhos de ar-condicionado instalados. Como medida emergencial, propus uma solução um tanto drástica: ligar o modo frio e o modo quente ao mesmo tempo.

“Ao mesmo tempo? Os custos de energia vão disparar…”

“Esse não é o problema agora.”

Acho que disse isso de forma mais diplomática, mas a sensação era essa. Ligar refrigeração e aquecimento juntos não é eficiente se você olhar só para a conta de luz. Mas naquele momento, a prioridade era simplesmente retirar a umidade do ambiente.

Algumas horas depois, o higrômetro começou a cair lentamente. 95%, depois 90% — e no dia seguinte a leitura havia chegado às casas dos 80. As horas antes dos números começarem a se mover pareceram estranhamente longas. Olhar o higrômetro. Olhar o chão. Olhar o higrômetro de novo. Qualquer coisa que você fizesse, sempre voltava para ali.

Posteriormente, a instalação introduziu formalmente desumidificadores e também implantou um sistema adequado de drenagem. Quando voltei um mês depois, a “alface” alongada de antes havia crescido e se tornado uma alface de verdade.

“Então é assim que alface parece de verdade…”

A mudança foi tão drástica que quase disse isso em voz alta.

Essa experiência me deu uma noção concreta de quão importante é o manejo adequado de umidade numa fazenda vertical. Plantas são resistentes. Dê a elas as condições certas e elas respondem. Mas ao mesmo tempo, quando o ambiente se deteriora, elas mostram isso na própria forma — de maneira mais direta e crua do que você esperaria.

Ainda hoje, quando vejo os números num higrômetro, lembro do barulho da água naquele chão e da alface frisada com seu caule fino. Numa fazenda vertical, umidade não é apenas uma questão de conforto. É um fator decisivo que pode mudar a forma da própria cultura.

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