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Coluna

Sessenta Horas de Inferno — O Que Aconteceu na Abertura de uma Fazenda Vertical

Durante a abertura de uma fazenda vertical, ergui a cabeça em algum momento e percebi que já havia trabalhado cerca de sessenta horas seguidas.

Algo Errado no Primeiro Dia de Colheita

Naquele dia, eu tinha ido até o local para apoiar a abertura da fazenda vertical. Meu papel era de “reforço”. Não me ocorreu que esse reforço acabaria se tornando a última linha de defesa, colado à máquina de embalagem.

As palavras do responsável pela fazenda — “Tudo certo, estamos preparados” — ainda me lembro com clareza. Mas o ar estava um pouco tenso quando cheguei. Era para ser o tão esperado primeiro dia de colheita. Algo parecia fora do lugar.

“Está tudo certo?” perguntei. A expressão do responsável pela fazenda ficou levemente nublada.

“Sim, bem… quase.”

Esse “quase” carregava um peso considerável.

O primeiro dia de colheita exige muitas mãos. Mas o número de pessoas no chão estava claramente abaixo do necessário. Cerca da metade era staff novíssimo — era o primeiro dia de trabalho deles. Os olhos deles estavam cheios de esperança. Os meus começavam a pensar: “Hoje vai ser longo.”

Então chegou o primeiro lote colhido.

Era umas duas vezes maior do que o esperado. Impressionante, honestamente. Impressionante — só que não cabia nas embalagens. Um momento estranhamente complicado — orgulho pelos vegetais e pavor pelo problema, tudo ao mesmo tempo.

“Tem alguém que sabe operar a máquina de embalagem, né?” perguntei. A resposta foi silêncio e cabeças balançando que não.

A única pessoa em toda a instalação que sabia operar a máquina de embalagem era eu. Naquele momento, mais ou menos tudo já estava decidido.

A Noite Virou Manhã na Máquina de Embalagem

Às cinco da tarde, os trabalhadores de meio período foram embora na hora certa. O que ficou foi um punhado de funcionários efetivos, eu, e uma montanha de vegetais sem processar.

A frase do responsável pela fazenda — “Vamos resolver nas horas extras” — tornou-se, como as coisas se revelaram, o ponto de partida de sessenta horas de trabalho.

Fiquei de pé na frente da máquina de embalagem, enfrentando um problema puramente físico: vegetais que não cabiam nas embalagens. Aparar para deixá-los menores os tornaria fora de especificação. Forçar a entrada rasgava as embalagens. Nunca imaginei que um dia ficaria tão perdido por causa de vegetais que cresceram tão bem.

Por volta das duas da manhã, as coisas começaram a cintilar nas bordas da minha visão. O som da máquina de embalagem estava estranhamente nítido enquanto as vozes ao redor soavam cada vez mais distantes. Sono. Não cabe. A embalagem rasga. Espera — e o ângulo? Era só isso que circulava na minha cabeça.

Foi então que desenvolvi um método: girar o vegetal em um ângulo específico, dobrá-lo levemente e deslizá-lo para dentro da embalagem. De alguma forma, passei seis horas só desenvolvendo essa técnica do “giro e encaixe”. Olhando para trás, deveria ter encontrado outra solução muito antes — mas quando você está no chão de trabalho, “só reduzir um pouco a pilha à sua frente” é tudo o que existe.

Quando a luz da manhã entrou, eu ainda estava na máquina de embalagem. Os pés inchados. Os punhos fazendo seu argumento a favor de uma tendinite.

“Bom dia!”

As saudações animadas dos funcionários chegando anunciavam um novo dia na instalação. Mas dentro de mim, o dia anterior ainda não havia terminado. O calendário avançou. Meu tempo permaneceu congelado na frente da máquina de embalagem.

Segundo dia: a situação não mudou — ainda com pessoal insuficiente, ainda embalando vegetais grandes demais. Se algo piorou, foi minha eficiência, que caía gradualmente pela falta de sono. Cada vez que eu pressionava um botão na máquina de embalagem, minhas pálpebras ameaçavam fechar junto. Mas as mãos continuavam se movendo. O piloto automático humano é surpreendentemente teimoso.

Uma Mente que Se Recusa a Dormir

Na segunda noite, meu estado mental começou a mudar.

Quando a exaustão se aproxima do limite, o cérebro começa a trabalhar em direções estranhas.

Os vegetais que saíam pela máquina de embalagem pareciam implorar: “Por que você está me embalando tão apertado?” Claro que vegetais não falam. Eu sabia disso. Sabia — mas naquele momento, eles pareciam um pouco desconfortáveis para mim.

A embalagem naquele ponto havia se afastado consideravelmente do procedimento padrão. Não havia como lidar com elegância com vegetais de tamanho errado — eu os dobrava em triângulos e os enfiava nas embalagens.

“Isso não está dentro da especificação do produto.”

Algum resto tênue de razão disse isso, em algum lugar na minha cabeça. Mas meu cérebro exausto simplesmente o ignorou. Olhando para trás, eu estava em pleno “modo embalagem fora de controle”.

Em determinado momento, percebi que estava falando com a máquina de embalagem.

“Vamos lá — vamos superar isso juntos.”

Eu animando a máquina de embalagem. Naquele estágio, isso não era mais trabalho de melhoria de instalação. Era simplesmente alguém que precisava muito dormir.

Na manhã do terceiro dia, meu corpo parecia ser de outra pessoa. Quarenta e oito horas embalando sem dormir — mãos sem sensibilidade, pernas pesadas como chumbo. O trabalho continuava. A essa altura, mesmo com a consciência quase apagada, meu corpo havia memorizado o ritmo de embalar por conta própria.

O responsável pela fazenda veio com uma expressão preocupada.

“Você está bem? Talvez devesse descansar—”

Respondi: “A essa altura, se eu parar, não acho que vou conseguir me mover de novo.” Não era brincadeira. Estava com medo de verdade de que, se parasse, nunca mais me levantaria. Escrevendo isso agora, sei que absolutamente deveria ter descansado. Mas naquele momento, tudo o que eu escolhia era não parar.

Sessenta Horas Depois

Cerca de sessenta horas depois do início do trabalho de embalagem, finalmente bati no limite.

Meu dedo ficou parado sobre o botão da máquina de embalagem — parecia ser de outra pessoa. Meus pés pareciam fixados ao chão; levantar um deles exigia esforço real. Os segundos se estendiam de forma estranha. Apertar. Não — não consigo apertar. Não aguento mais. Foi aí que finalmente admiti que tinha chegado ao fim.

Tenho razoável certeza de que cheguei em casa depois disso. Mas como — quase não me lembro. Na manhã seguinte, acordei deitado no chão do meu quarto, ainda com a roupa do trabalho, a porta da frente destrancada. A geladeira estava aberta. Dentro dela, por alguma razão: um par de hashis. Se eu tinha tentado comer, ou se a memória de ver os hashis era ela mesma uma alucinação — até hoje não sei.

Segundo um colega, dei o tchau normal na saída. Dessa memória também não tenho nada. Parece que o corpo humano tem uma função: mesmo quando a mente praticamente desligou, o corpo ainda sabe como se despedir.

A primeira e mais simples conclusão que tirei dessa experiência: humanos são genuinamente perigosos sem dormir. Isso pode soar como piada. Falo a sério.

E a lição real foi a importância da preparação e do treinamento. Não importa o quanto um indivíduo se esforce — sem pessoal adequado e treinamento, a instalação não consegue funcionar. Entrar em um primeiro dia de colheita com apenas uma pessoa que sabe operar a máquina de embalagem é, olhando para trás, simplesmente absurdo.

Nas aberturas de fazendas em que trabalhei desde então, passei a ser bastante criterioso quanto a garantir pessoal com antecedência e treiná-lo antes do primeiro dia. Já me disseram que é “exagero”. Mas para alguém que passou sessenta horas em frente a uma máquina de embalagem, isso é mais ou menos o necessário.

Anos depois, algo em mim ainda treme ao ouvir o som de uma máquina de embalagem. Provavelmente algo como um PTSD leve. Mas ter sobrevivido àquela experiência extrema também se tornou um patrimônio real em quem sou hoje.

Para quem vai se envolver na abertura de uma fazenda:

Dormir não é luxo. É necessidade.

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