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Culturas

Por que raízes e tubérculos quase não são cultivados em fazenda vertical: a incompatibilidade com o cultivo sem solo

Vemos fazendas verticais de alface, mas quase nunca vemos fazendas verticais de nabo daikon ou cenoura. Isso não acontece por falta de demanda, e sim porque as características de crescimento das raízes e tubérculos não combinam com os equipamentos existentes.

Em raízes e tubérculos, a parte que se come é a própria raiz, que se desenvolve e engrossa. São necessários profundidade, capacidade de sustentação, fornecimento de oxigênio e facilidade de manuseio na colheita. A filosofia de projeto difere completamente das linhas voltadas para folhosas, que pressupõem placas flutuantes finas e sistemas de solução nutritiva recirculante.

Neste artigo, organizo as razões pelas quais o cultivo sem solo é difícil para raízes e tubérculos, os métodos com possibilidade de cultivo e, ainda, o pano de fundo econômico que faz com que essas culturas raramente sejam escolhidas como negócio.

A razão pela qual a fazenda vertical se concentra em hortaliças folhosas também está explicada no artigo abaixo.

Por quê? A razão pela qual os itens cultivados em fazenda vertical acabaram se limitando a hortaliças folhosas

Os desafios de cultivar raízes e tubérculos em fazenda vertical

Raízes e tubérculos são o termo geral para hortaliças como cenoura, nabo daikon e bardana, em que a parte da raiz cresce e engrossa, e essa raiz hipertrofiada é a parte comestível. Caracterizam-se por formar uma raiz pivotante grossa, que cresce reta até as profundezas do solo. Para sustentar esse crescimento, é preciso um substrato macio com profundidade e espaço suficientes em todas as direções.

Os equipamentos predominantes na fazenda vertical existente foram otimizados para hortaliças folhosas e têm uma estrutura que dificulta garantir a profundidade e a largura de substrato necessárias para raízes e tubérculos. Além disso, quando a zona radicular fica preenchida de líquido, o fornecimento de oxigênio às raízes tende a ficar insuficiente — esse é mais um desafio. Faltam tanto o espaço para que a raiz cresça quanto a capacidade do substrato de sustentá-la fisicamente, de modo que, com os equipamentos atuais, o cultivo de raízes e tubérculos é difícil.

Métodos de cultivo em fazenda vertical adequados a raízes e tubérculos

Indo direto à conclusão: o racional é cultivar raízes e tubérculos no solo. Se for absolutamente necessário cultivá-los em fazenda vertical, há dois métodos viáveis: a fertirrigação em substrato e a aeroponia. Ambos são sistemas do tipo não recirculante, diferentes da imagem comum de “fazenda vertical”.

A fertirrigação em substrato consiste em colocar terra em recipientes profundos como sacos de cultivo, na profundidade necessária ao crescimento das raízes, e fornecer a solução nutritiva por tubos gotejadores ou semelhantes. Como a raiz pode crescer no solo mantendo seu hábito pivotante, esse método se adequa ao crescimento natural de raízes e tubérculos.

A aeroponia é um tipo de hidroponia em que a solução nutritiva é nebulizada e a névoa atinge diretamente as raízes. Como o tamanho das gotículas é da ordem de algumas dezenas de micrômetros, é possível fornecer às raízes, junto com água e nutrientes, oxigênio em quantidade suficiente — essa é sua principal característica. É uma tecnologia que pode se tornar uma nova opção para o cultivo de raízes e tubérculos.

Com esses dois métodos é possível garantir o espaço de substrato e o fornecimento de oxigênio que raízes e tubérculos exigem e, ao mesmo tempo, fornecer também os nutrientes necessários para o engrossamento, por meio do manejo da solução nutritiva.

O problema de, antes de mais nada, não fechar no azul

Tão importante quanto os desafios técnicos — talvez ainda mais — é a questão da viabilidade econômica. O cultivo de raízes e tubérculos em fazenda vertical não é tecnicamente impossível, mas existe a realidade de que as contas não fecham.

Raízes e tubérculos têm um período de cultivo mais longo do que as hortaliças folhosas e poucos ciclos de cultivo (quantas colheitas se pode fazer em um determinado período). Em fazenda vertical, como a produção por unidade de tempo está diretamente ligada à receita, essa diferença é fatal. Enquanto folhosas como a alface podem ser colhidas em cerca de 30 a 40 dias, a cenoura demanda algo como 70 a 120 dias da semeadura à colheita. O baixo número de ciclos de cultivo, em uma fazenda vertical com custos fixos elevados, se traduz diretamente em baixa rentabilidade.

Já que se opera uma fazenda vertical como negócio, não há por que escolher deliberadamente uma cultura que não dá lucro, e o fato de raízes e tubérculos não serem escolhidos é uma consequência absolutamente natural.

A fazenda vertical, tanto pelo lado da tecnologia de cultivo quanto pelo lado da economia, tem um conjunto bastante limitado de hortaliças que podem ser cultivadas de forma realista. Com os grãos, ocorre o mesmo tipo de problema.

Hidroponia de grãos como trigo e soja em fazenda vertical — é possível, mas ninguém faz, e por quê

O futuro do cultivo de raízes e tubérculos em fazenda vertical

No momento, é improvável que raízes e tubérculos sejam escolhidos para os equipamentos hidropônicos convencionais. Isso, porém, não significa que essa situação nunca vá mudar.

A razão de fundo pela qual raízes e tubérculos não são escolhidos é que os equipamentos existentes não atendem às características de crescimento dessas culturas. Se forem desenvolvidos equipamentos de cultivo especializados nessas características e se for estabelecida uma estratégia comercial à altura, com produtos de alto valor agregado, o quadro pode mudar.

No entanto, mesmo que essas condições estejam reunidas, na fazenda vertical sempre há concorrência com outras culturas de alto preço unitário. Para que raízes e tubérculos sejam escolhidos, é preciso, além de superar as barreiras técnicas e de gestão, demonstrar uma vantagem clara em relação às demais culturas fortes. Esse caminho ainda não está traçado — essa é a realidade de hoje.

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